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Esteatose e Alzheimer

A relação principal entre essas duas doenças baseia-se na parcial natureza lipídica de ambas. A esteatose está relacionada sobretudo a um acúmulo exagerado de lipídios no citoplasma dos hepatócitos. Enquanto que no Alzheimer, diversas linhas de evidência sugerem que uma desregulação do metabolismo lipídico pode participar na patogênese da enfermidade. Estudos epidemiológicos indicam que níveis elevados de colesterol no plasma podem estar associados a maior incidência da doença. Outros estudos feitos em células mostram também que a distribuição do colesterol intracelular afetam o processamento da proteína beta-amiloide. Talvez ainda mais importante, pesquisas na área de genética contribuem para se acreditar que a apolipoproteina E (veja o post passado), o maior carregador e transportador de colesterol no sistema nervoso, como o fator de risco primordial no desenvolvimento da doença. Apesar disso, o mecanismo de funcionamento da ApoE nessa relação ainda é incerto. No entanto, parece que a lipidização da ApoE praticamente elimina a formação de plaquetas amiloide precoces., tendo utilidade de destaque em possíveis terapias.
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Apesar de mencionada anteriormente, voltamos a discorrer sobre a ApoE dada a sua importância: a apolipoproteina E  é a alipoproteína mais frequente no cérebro e é sintetizada e secretada pelos astrócitos da microglia. Acredita-se que a ApoE atua como chaperone (fazendo o (des)dobramento não covalente das proteínas) da deposição de peptídeos beta-amiloide ou sua limpeza. A ApoE ligaria-se ao peptídeo beta-amiloide em uma isoforma e de maneira a depender da lipidização, colocaliza-se com os depósitos amiloideos parenquimais e cerebrovasculares e pode participar na captação e degradação de beta-amiloide pela microglia.
O acúmulo e depósito exagerado de gordura (tendo grande relevância o VLDL) nas células do fígado acaba por desregular a síntese, controle e atividade da ApoE, de forma tal que essa molécula não exerça sua ação protetora sobre os tecidos nervosos. A conexão das doenças parte do princípio da integração entre o metabolismo lipídico deficiente decorrente da esteatose, seguido pela alteração na atividade da ApoE e por fim a instalação do Alzheimer.
Escrito pelo grupo.
Bibliografia:
9Az21pJMoekNhJstY-nQ&bvm=bv.43148975,d.eWU
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Avanço no Diagnóstico de Alzheimer por exame de sangue

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Uma outra pesquisa da Universidade da Pensilvânia em parceria com a Universidade Washington, em St. Louis, deu passos significativos no que diz respeito ao exame de sangue para a detecção de Alzheimer. A tecnologia ainda não é suficiente para essa técnica ser implantada, mas ela deverá ser aperfeiçoada e, no futuro, a doença deverá ser facilmente detectada pelo teste, inclusive em sua fase precoce.

Agora a pesquisa esteve à procura de biomarcadores de Alzheimer no plasma sanguíneo. Após analisar diversos pacientes diagnosticados com a doença ou ainda com impedimento cognitivo leve (que se acredita ser um estado bem inicial de Alzheimer), os pesquisadores observaram muitos compostos que apareceram em quantidades anormais em relação ao grupo controle. Comparando-se esses resultados com exames anteriores de pacientes diagnosticados, foi possível limitar esses compostos a apenas quatro indicadores, aparentemente correlacionados com a deposição de placas β-amiloide, porém não confirmados:

  1. Apoliproteína E (ApoE) – A ApoE é uma proteína relacionada ao transporte de lipídeos (e vitaminas lipossolúveis), e é essencial no metabolismo de triacilgliceróis. É principalmente sintetizada no fígado, mas outros órgãos também a produzem, como o cérebro. Nesse órgão, a ApoE é secretada por astroglias e micróglias. Porém, o gene de expressão de um dos tipos desse composto está diretamente relacionado com a expressão genética hereditária do mal de Alzheimer.

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    Representação espacial da ApoE

  2. Peptídeo natriurético tipo B (BNP) – esse peptídeo atua como um hormônio produzido pelo coração quando suas células sofrem contrações muito fortes, com o objetivo de diminuir o fluxo de contrações comandado pelo sistema nervoso. Estudos foram feitos relacionando esse estudo ao desenvolvimento de demências, porém ele foi positivo para demências vasculares, apenas, e acreditava-se não haver relação com o Alzheimer.

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    Representação planar do BNP

  3. Proteína C-reativa – proteína relacionada com a resposta inflamatória em estágios avançados da inflamação. É produzida no fígado após estímulos por macrófagos ou adipócitos. Ela se liga a sinalizadores expostos em células mortas ou próximas da morte, desencadeando uma cascata de reações voltadas para a resposta imune. Está relacionada ao Alzheimer por pesquisas experimentais que indicam baixos níveis sanguíneos dessa proteína em relação a um grupo controle.

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    Representação espacial da Proteína C-reativa

  4. Polipeptídeo pancreático (PP) – é um hormônio produzido no pâncreas, atuando na autorregulação de secreções endócrinas e exócrinas desse órgão. Também tem papel no controle das taxas de glicose sanguínea, atuando no controle do metabolismo de glicogênio hepático. Seus níveis foram recentemente relacionados com a doença de Alzheimer. Por estar relacionado também ao Diabetes e a obesidade, esse hormônio representa uma pista nas pesquisas das relações entre essas doenças.
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Ilhota de Langerhans no pâncreas identificando compostos em regiões por imunofluorescência – vermelho para glucagon, verde para insulina e azul para polipeptídeo pancreático

É importante ressaltar que as diferenças conjuntas desses compostos no sangue foram detectados por pesquisadores como indicadores da doença, e não as taxas individuais desses fatores, que poderiam indicar diversas outras doenças.

Esse foi mais um importante passo para o diagnóstico precoce do mal de Alzheimer, posto que um exame de sangue é um método muito eficaz, barato e prático para diagnóstico. As pesquisas devem avançar, visto que o experimento indicado apresentou avanços, mas foi muitas vezes inconclusivo. Poucos foram os representantes do grupo controle, e o diferente número de casos de impedimento cognitivo leve em cada grupo dificultou a diferenciação dos níveis sanguíneos dos indicadores para Alzheimer e esses demais casos.

Por enquanto, uma análise sintomática seguido de exames de ressonância e análise de liquido cerebroespinal ainda são as formas utilizadas para diagnóstico do Alzheimer. Porém, métodos promissores e revolucionários como esse surgem a cada dia e o diagnóstico precoce de Alzheimer se mostra uma possibilidade cada vez mais real. Além disso, a tendência é que cada um dos métodos seja cada vez mais práticos, eficazes e baratos. Já é possível ver um futuro melhor para os pacientes com Alzheimer. Com um diagnóstico precoce, tratamento eficaz e qualidade de vida, mesmo que na condição de portador de uma doença degenerativa tão grave quanto o Mal de Alzheimer.Imagem

Bibliografia:

http://www.sciencedaily.com/releases/2012/08/120809190758.htm

http://www.dshs.state.tx.us/alzheimers/apolipo.shtm

http://en.wikipedia.org/wiki/Apolipoprotein_E

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22855860

http://en.wikipedia.org/wiki/Brain_natriuretic_peptide

http://intl-jgp.sagepub.com/content/23/1/49

http://en.wikipedia.org/wiki/C-reactive_protein

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19424098

http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0028092

http://en.wikipedia.org/wiki/Pancreatic_polypeptide

https://quimicalzheimer.files.wordpress.com/2013/03/thehumanheart1.jpg

http://www.ionchannels.org/pdb-image/1YA9.jpg

http://seungkimlab.stanford.edu/islet.html

http://mpkb.org/_media/home/tests/crp_pretty.png?w=310

http://www.chemicalbook.com/CAS%5CGIF%5C124584-08-3.gif

http://i.huffpost.com/gen/853000/thumbs/o-ELDERLY-570.jpg?4

http://www.independent.ie/lifestyle/health/real-life-driving-into-the-sunset-2237318.html

Escrito por: Matheus Ravel Timo Barbosa

Não é apenas amilóide: hiperintensidade de substância branca e doença de Alzheimer

O titulo desse post  carrega informações e credibilidade de uma artigo muito recente, publicado na semana passada com o título original “White Matter Hyperintensities and Cerebral Amyloidosis”.

O primeiro post que fala sobre causas do Alzheimer leva em conta principalmente a influencia do peptídeo beta-amilóide. No entanto, a ciência é muito dinâmica, várias “verdades absolutas” podem perder seu posto com o passar do tempo, dando lugar a novas descobertas. Em se tratando de Alzheimer, as informações tornam-se ainda mais dinâmicas tanto pelo fato de ser uma doença um tanto recente quanto pelos mistérios que o corpo humano apresenta principalmente ao tentar se entender como a mente funciona do ponto de vista bioquímico.

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Os correntes modelos que tentam explicar causas da doença de Alzheimer, normalmente dão ênfase a importância do β-amilóide na doença. No entanto, ele sozinho não é suficiente para causar toda a síndrome de demência.  Substâncias brancas em hiperintensidade  (WMHs), visualizadas por ressonância magnética, podem ser um fator chave que contribui para apresentação de Mal de Alzheimer.

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As imagens pertencem a pacientes de 80 anos de idade: o da esquerda com menor acúmulo de WMH e o da direita com acúmulo intenso.

Com objetivo de determinar o impacto de WMHs na expressão clínica de Alzheimer, foram avaliados 21 indivíduos normais (grupo controle), 59 com leve prejuízo de capacidades cognitivas e 20 com Alzheimer diagnosticado clinicamente. Os resultados provaram as teorias: aumento total de níveis de  WMH nos participantes com mal  de Alzheimer, níveis bem maiores que os apresentados pelo grupo controle. E nos grupo com leve prejuízo cognitivo, os resultados conferem risco a um possível futuro diagnostico de Alzheimer.

Assim, hiperintensidade de substância branca contribui para a apresentação da doença, no contexto de deposição significativa de amilóide, pode fornecer uma segunda característica necessária para a manifestação clínica da doença. Como fatores de risco para o desenvolvimento de WMHs são modificáveis, estes resultados sugerem estratégias de intervenção e prevenção para a síndrome clínica da AD.

Escrito por Natália Menezes Corrêa

Fontes

http://archneur.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=1653648

http://www.sciencedaily.com/releases/2013/02/130219172231.htm

http://www.bmj.com/content/341/bmj.c3666

Vídeo

Nova Descoberta na Prevenção!

http://bcove.me/jg39ri0w

Ah, encontrei esse vídeo outro dia durante as pesquisas.
Ele é em inglês e está sem legendas, mas é um vídeo simples e de fácil compreensão.
A reportagem põe em foco uma possível forma de prevenção da doença por genes mutados que parecem inibir o desenvolvimento e progressão da atividade danosa das proteínas beta-amiloide. Pesquisa idealizada por pesquisadores na Islândia.
Confira!

Reposição Hormonal e Prevenção do Alzheimer

E aí galera, saudades?

Nesse post explicarei para vocês como a reposição hormonal pode estar relacionada à prevenção e o tratamento do mal de Alzheimer. É de conhecimento geral que com o avanço da idade e o envelhecimento, a produção de certos hormônios fica cada vez mais reduzida e estudos estão tentando mostrar como isso se relaciona a diversas doenças, entre elas as neurodegenerativas.

A taxa de expectativa das mulheres aumentou muito nas últimas décadas, mas a idade na qual a menopausa começa a se instalar no organismo feminino não. Nesse sentido, as mulheres estão vivendo cada vez mais tempo nessa fase e assim a medicina objetiva oferecer às senhoras uma melhor perspectiva de envelhecimento, seja evitando doenças ou melhorando a qualidade de vida delas.

-Xô Alzheimer!
-Xô Alzheimer!

Durante a menopausa o corpo e o metabolismo mudam de forma importante, e os mecanismos que regulam o estresse oxidativo não são exceção, como discutido no blog anteriormente, acredita-se que o estresse oxidativo tem relação íntima com o Alzheimer. Nesse período da vida das mulheres a produção de estradiol e progesterona cessam, hormônios que estão relacionados principalmente ao comportamento sexual e à reprodução. E o estradiol, como estrógeno , já é anti-oxidantes, daí advém a relação.

Como dito, os neurônios estão em risco maior do dano resultado desse estresse oxidativo. Estudos in vivo e in vitro indicam que a oxidação de LDL (outro fator contribuinte pro dano celular) isolado de mulheres na pós-menopausa foi inibido por diferentes estrógenos e anti-oxidantes. Sendo assim os efeitos neurotóxicos do LDL oxidado foram freiados. Esses efeitos parecem estar relacionados com a inibição da fragmentação de parte do DNA responsável pela regulação das proteínas anti-apoptóticas e pró-apoptóticas.

A reposição hormonal fundamenta-se na prescrição de remédios que elevem os níveis dessa classe de hormônios no organismo. A prevenção se baseia na administração de fármacos precomente, antes mesmo que algum sintoma possa aparecer, em um período de até cerca de 5 anos depois do início da menopausa. Segundo um periódico da revista Neurology da Academia Americana de Neurologia, pacientes que se submetem a reposição hormonal reduzem em até 30% o risco de desenvolver o Alzheimer. Entretanto, como na maioria dos métodos que preconizam algum tipo de prevenção, não há como afirmar que terapias de reposição hormonal vão de fato ter efeito nos pacientes, e ainda pior: parece que o uso desses medicamentos durante o curso natural da doença, ou após esses 5 anos, possa ter efeitos negativos, como aumentar a propensão de desenvolvimento de tumores.

Como nos últimos posts, devo ressaltar que essas informações, apesar de serem resultado de intensa pesquisa de alguns cientistas, são sempre controversas e não são suficientes para tirar conclusões absolutas de forma nenhuma.

Informo a todos também que o nosso blog está chegando ao fim. Espero que vocês tenham gostado das nossas postagens e principalmente das minhas a respeito de prevenção. É com muita lástima e tristeza que eu digo adeus para todos os nossos 4 ou 5 leitores ativos, muito obrigado de coração!

Foi joia escrever para vocês!
Foi joia escrever para vocês!

Escrito pelo seu fiel autor: Rafael Fernandes de Almeida

Bibliografia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Menopause
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1175280-reposicao-hormonal-pode-prevenir-mal-de-alzheimer.shtml
http://www.scielo.sa.cr/scielo.php?pid=S0001-60022009000400004&script=sci_arttext
http://europepmc.org/abstract/MED/12943738/reload=0;jsessionid=s5E1WMBEIHXX8U0gaHA9.2

Exame de Sangue no diagnóstico de Alzheimer

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O rei dos exames acaba de expandir seu reinado a mais um domínio. Pesquisadores de diversas instituições de estudos neurológicos em Madrid desenvolveram um meio de detectar biomarcadores de Alzheimer em células do sangue. Medindo-se a taxa de emissão e absorção de luz infravermelha por leucócitos mononucleares, é possível diferenciar com grande eficácia a presença de indicadores da doença e sua concentração, de acordo com a evolução da demência. A pesquisa foi feita com pessoas em diversos estágios do mal de Alzheimer e com um grupo controle de pessoas saudáveis.

Acredita-se que essas células imunológicas carregam consigo partes e produtos das placas ß-amiloide. Isso acontece por que essas células, antes de se dirigir a algum tecido, “rondam” o corpo, tendo contato inclusive com o sistema nervoso.

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Microscopia Eletrônica de Varredura de Leucócito Mononuclear.

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Imagem mostrando um modelo de Amida I, presente em folhas-ß resultantes de placas ß-amiloide e essencial na detecção para o diagnóstico por infravermelho.

Assim, detectou-se, utilizando a técnica de espectroscopia com infravermelho, deposições de formações em folha-ß e acúmulo de radicais carbonila. Cada uma dessas estruturas foi detectada em uma faixa de luz diferente (provenientes de interações a níveis atômicos diferentes – frequência do grupo amida I nas folhas-ß e da ligação C=O da carbonila, respectivamente) e sua concentração era proporcional ao estágio da doença e estavam em níveis destoantes do grupo controle saudável. A técnica possui uma margem de erro pequena, quando comparada com outras técnicas mais dispendiosas, incômodas e invasivas.

Esse foi um grande passo para o desenvolvimento de métodos mais rápidos, práticos e eficazes para o diagnóstico do Alzheimer. Principalmente no que diz respeito à detecção precoce da doença, onde se mostrou mais eficaz. Agora os pesquisadores possuem um novo desafio: analisar os leucócitos mononucleares de outras doenças semelhantes ao Alzheimer, de maneira a desenvolver um diagnóstico diferencial, sabendo-se se essas doenças também acabariam por desenvolver folhas-ß nas células imunológicas ou não. Caso afirmativo, procurariam diferenciar os níveis dessa estrutura nas diversas doenças.

Eis que mais e mais alternativas para o diagnóstico precoce do mal de Alzheimer surgem a cada dia. No próximo post a respeito de diagnósticos, será abordado novamente o diagnóstico a partir de exames de sangue. Novas descobertas são feitas nesse tipo de diagnóstico e uma delas será o nosso próximo tema.

Bibliografia:

http://www.sciencedaily.com/releases/2012/01/120125112703.htm

Pedro Carmona, Marina Molina, Miguel Calero, Félix Bermejo-Pareja, Pablo Martínez-Martín, Isabel Alvarez, Adolfo Toledano. Infrared spectroscopic analysis of mononuclear leukocytes in peripheral blood from Alzheimer’s disease patientsAnalytical and Bioanalytical Chemistry, 2012

http://en.wikipedia.org/wiki/Lymphocyte

http://www.visualphotos.com/image/1×8710592/monocyte_basoplasm_esm_electron_scanning

Escrito por: Matheus Ravel Timo Barbosa

Alzheimer: Um tipo de “diabetes cerebral”

A insulina é um importante hormônio pancreático que promove a entrada de glicose nas células, promovendo a diminuição da glicemia, atuando dessa forma no metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. Quando o organismo não consegue produzir este hormônio (como ocorre em casos de diabetes tipo 1) ou adquire resistência a ele (caso de diabetes tipo 2), uma série de problemas são desencadeados.ImagemImagem

Durante muito tempo acreditava-se que a insulina não tinha ligação com o sistema nervoso central. Mas nos anos 80 vários grupos de pesquisa localizaram o hormônio e seu receptor no cérebro. O indicava que a insulina cruzava a barreira hematoencefálica. Pouco tempo depois foi descoberto que o hormônio desempenha papel importante no aprendizado e na memória. Pessoas que injetavam ou ingeriam insulina imediatamente melhoravam sua capacidade de lembrar histórias ou de recorrer à memória. O aprendizado também aumenta os níveis de insulina: ratos ensinados a realizar tarefas associadas à memória espacial tinham níveis de insulina no cérebro mais altos que os dos ratos sedentários.

Como o sistema nervoso demanda de uma grande quantidade da energia total do organismo, a insulina é essencial para o cérebro. Assim anormalidades na insulina estão associadas a doenças neurodegenerativas, não só a doença de Alzheimer, como também a doença de Parkinson e doença de Huntington.

A neuropatologista Suzanne De La Monte e colaboradores (Brown University – Revista Scientific American) questionaram se a insulina no cérebro poderia ter alguma relação com a doença de Alzheimer (que se caracteriza pela perda de memória). Comparando níveis de insulina de seus receptores pós-morte em cérebros saudáveis e de pacientes com Alzheimer obteve-se que níveis médios do hormônio nas áreas neurais associadas ao aprendizado e à memória eram até quatro vezes superiores nos cérebros saudáveis que, por sua vez, também apresentavam até dez vezes mais receptores de insulina.

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Em outras palavras, o Alzheimer seria, em uma comparação grosseira, como uma diabetes do cérebro, por ter relação com a interferência da sinalização do hormônio insulina (o mesmo cuja função se apresenta desregulada no organismo de diabéticos). Assim, a doença seria, de acordo com alguns pesquisadores, o “diabetes tipo 3”.

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Um excelente artigo, e super recente, publicado em abril de 2012, que traz o titulo “An anti-diabetes agent protects the mouse brain from defective insulin signaling caused by Alzheimer’s disease–associated Aβ oligomers” (em português : “Um agente anti-diabetes protege o cérebro de rato a partir de defeito de sinalização de insulina causada pela doença de Alzheimer associadas oligômeros Aβ”) conseguiu bons resultados quanto a relação entre Alzheimer e resistência ao hormônio insulina.

Vale muito a pena dar uma lida no artigo, mas para aqueles que não vão ter tempo, das discussões dos resultados contidas nesse artigo, aqui estão alguns pontos muito interessantes merecem destaque:

1)    Evidencias sugerem que resistência à insulina desenvolve o Alzheimer.

2)    Níveis de insulina e de receptores de insulina são mais baixos em cérebros afetados com o mal de Alzheimer.

3)    Sinalização de insulina no cérebro foi documentada em análises pós-morte de pacientes com Alzheimer e também em animais modelos de estudos da doença, apresentando deficiência em ambos os casos.

4)    A sinalização por insulina é particularmente importante para aprendizado e memória, sugerindo que a resistência à insulina possa contribuir para déficits cognitivos na doença de Alzheimer.

5)    Estudos recentes mostram que diabetes tipo 2 aumenta o risco de doença de Alzheimer e uma nova forma reconhecida de resistência à insulina cerebral foi conectada à doença.

Post escrito por Natália Menezes Corrêa

Referencias bibliográficas

http://www.meditt.com/blog/?m=201101http://alzheimer-gcmrs.blogspot.com.br

http://hypescience.com/mal-de-alzheimer-pode-ser-um-tipo-de-diabetes-dizem-cientistas/

http://www.jci.org/articles/view/57256