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Inflamação Cerebrovascular: Entendendo o Sintoma Inicial

fevereiro 20, 2013

Como já foi dito, estudos clínicos e modelos animais indicam fortemente que a inflamação contribui decisivamente para a cascata da patogênese da DA. Assim, há de se perguntar: o que é uma inflamação? Em termos simplificados, pode-se definir inflamação como uma reação do organismo a uma alteração ou dano tecidual fisiopatológico. No caso da doença de Alzheimer a primeira etapa da manifestação dos sintomas é a inflamação proveniente do dano do tecido nervoso. Sabe-se, também, que uma das características proliferativas da Doença de Alzheimer é a migração dos peptídeos Beta-Amiloides através dos endotélios para os capilares sanguíneos cerebrais, sendo então liberados em locais específicos do encéfalo de maior prevalência, tais quais o córtex límbico e o hipocampo, se espalhando depois.

Essa migração dos amilóides insolúveis através dos endotélios é um evento chave para o início da inflamação; em estágios mais avançados, os peptídeos  insolúveis Aß42 e Aß40 estão associados com as paredes dos vasos; ocorre liberação de citocinas, interleuquinas IL-β e estudos apontam aumento em alguns fatores específicos, como a citocina Transforming growth factor-β (TGF-β), relacionada com mudanças na matriz extracelular e remodelação perivascular.

Células gliais e astrócitos, células de defesa e nutrição/sustentação do sistema nervoso [respectivamente], são ativadas progressivamente, além dos macrófagos perivasculares e granulócitos. Por isso o nome inflamação cerebrovascular: embora os efeitos imediatos se deem em regiões circunscritas e periféricas do cérebro, para que o sintoma ocorra é necessária antes uma proliferação vascular do Aß, gerando também uma angiopatia que é considerada parte da Doença de Alzheimer.

Testes em camundongos com maior expressão para o gene da APP mostram estresse oxidativo neuronal que induz fatores de dilatação vascular e inflamação; Outros testes indicam ainda sintomas decorrentes da angiopatia cerebral amilóidea, como micro-hemorragias, isquemia [pouca irrigação], leucoencefalopatia e infartos periféricos. Outros testes indicam aspectos adicionais ainda pouco explorados que acompanham o estresse oxidativo na fibrose cerebrovascular, como alterações no metabolismo do nitrogênio.

Essa sequência de eventos imunológicos leva, em última instância, também a mortes celulares programadas [apoptoses] neuronais, devido a ativações das FAS e, posteriormente, das caspases. A cronicidade e a continuidade dessas mortes leva à degeneração anatomopatológica observada em achados de autópsias.

Contribuindo para todas estas especulações, pesquisas indicam também o comprometimento do sistema imunológico com a idade, fator em conformidade com a prevalência epidemiológica da DA.

Em vista desses achados, existem perspectivas de tratamento ou amenização da DA a partir do controle do sistema imunológico. Visto ainda não ser claro se a a inflamação é uma causa ou um sintoma da patologia [ou ambos, o que é mais provável], necessita-se ainda de mais estudos para uma melhor compreensão desse aspecto importante.

Bibliografia:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1750-3639.2002.tb00419.x/abstract

http://www.biomedcentral.com/content/pdf/alzrt24.pdf

http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs007020200068?LI=true

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S019745800000124X

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1850858/

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1113/expphysiol.2007.038729/full

Escrito por: Diogo Almeida Carneiro

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