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O funcionamento da Memantina – Parte 2

fevereiro 22, 2013

Assim como a neurotransmissão colinérgica, a glutamérica encontra-se alterada na Doença de Alzheimer (DA). O glutamato, além de participar de funções cognitivas ligadas a memória, age como uma excitotoxina (aminoácidos que funcionam como neurotransmissores e, quando em excesso, hiper-excitam os neurônios até que eles cheguem à um estado de quase morte) quando liberado por longos períodos. Conclusão: o glutamato é essencial para a memória, mas seu excesso causa morte dos neurônios e a solução é impedir que sua concentração atinja níveis absurdos.

Relação do glutamato com a morte neuronal: com a entrada excessiva de íons cálcio a apoptose é disparada

Relação do glutamato com a morte neuronal: com a entrada excessiva de íons cálcio a apoptose é disparada

Com tal função que a memantina é usada. É uma droga que atua diretamente na doença, tentando frear a morte neuronal, prevenindo declínio cognitivo adicional. Por ser um antagonista não-competidor de receptores NMDA permite a ativação desses receptores no processo de formação da memória, mas bloqueia a abertura dos canais de cálcio e a entrada excessiva desses íons, o que mataria a célula por hiper-estimulação (Parsons et al., 1993). Em meio fisiológico, a memantina exerce ação semelhante aos íons magnésio, bloqueando os canais iônicos no estado de repouso e sendo deslocada quando há despolarização. Entretato, em concentrações absurdas de glutamato ela não se desprende do receptor, conferindo ação neuroprotetora contra a ativação excitotóxica dos receptores de glutamato (Misztal et al., 1996).

Estrutura da memantina

Estrutura da memantina

Esquema que mostra as consequências do excesso de calcio

Esquema que mostra as consequências do excesso de calcio

O interessante dessa droga é que ela pode ser usada em associação com os inibidores de colinesterases com baixíssimos riscos de interação medicamentosas. Winblad e Portis (1999) avaliaram a eficiência da memantina em 166 pacientes com DA em fase primária moderada e grave e concluíram que o tratamento com tal fármaco proporcionou benefícios comportamentais e funcionais, o que diminuiu a dependência dos cuidados assistenciais. O tratamento associado além de seguro e bem tolerado (Wenk et al., 2000), pode favorecer desfechos mais favoráveis em parâmetros cognitivos, funcionais e comportamentais, sustentando sua indicação (Tariot et al., 2004).

Bibliografia
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-60832005000300006&script=sci_arttext&tlng=es
http://farmalzheimer.blogspot.com.br/2010/11/tratamentos-para-o-alzheimer.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Excitotoxicity

Imagens
http://www.abrela.org.br/abr_page_ela.html
http://www.hipocampo.org/articulos/articulo0262.asp
http://farmacologiaoculare.wordpress.com/2010/02/26/la-memantina/

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