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Os Sintomas Intermediários e Finais

fevereiro 24, 2013

No post passado acerca dos sintomas, falamos sobre da inflamação na Doença de Alzheimer, que é muitas vezes descrita como o primeiro sintoma da doença. Neste post, veremos os próximos sintomas e consequências resultantes da patologia, que são em sua maioria neuropsiquiátricos. Já os sintomas neurodegenerativos terminais são associados a danos motores de alta severidade, preconizando o óbito do paciente; nesse ponto, a degeneração já é tamanha que torna irreversível o decurso da doença.

Os sintomas neuropsiquiátricos da doença incluem agitação, psicose, depressão, apatia, ansiedade e desordens na alimentação e sono. Uma pesquisa divulgada pelo American Journal of Geriatric Psychiatry indica que, desses, o mais comum e o mais prevalente é a apatia, com 75% dos casos. Tal pesquisa indicou também que os sintomas relacionados com alucinações foram os últimos a aparecer. Os sintomas de irritabilidade apresentam-se simultaneamente com a etapa de perda cognitiva leve [Mild Cognitive Impairment, MCI], que é o estágio III do desenvolvimento da doença; os sintomas neuropsiquiátricos que se seguem à MCI são os primeiros indícios externos facilmente perceptíveis à DA.

Outro estudo divulgado pelo American Journal of Geriatric Psychiatry examina os impactos neuropsiquiátricos tanto na qualidade vida dos pacientes quanto de quem os trata/convive com eles, resultando na conclusão [já esperada] do grande efeito negativo que a patologia acarreta na vida de todos que rodeiam o paciente de DA, além dele próprio. Pesquisas desse feitio utilizam-se de métodos estatísticos, categorizantes e psico-avaliativos e são muito importantes para a compreensão completa dos sintomas de qualquer patologia, incluindo a DA e a MCI, sua precursora. Nos métodos desta pesquisa, foram utilizados os bancos de dados da NPI [Neuropsiquiatric Inventory] para análise dos sintomas e a escala QOL-AD [Patients and Caregivers Quality of Life – Alzheimer’s Desease] para classificação dos danos aos pacientes e demais envolvidos.

Além da abordagem clínica, existem também várias análises bioquímicas, a serem abordadas a seguir. Os sintomas neuropsiquiátricos foram relacionados a deficiências colinérgicas [deficiências do neurotransmissor Acetilcolina], visto que drogas colinérgicas, usadas como agentes psicotrópicos, tiveram excelentes efeitos nos tratamentos específicos ou inespecíficos dessas desordens. Tais resultados corroboram a chamada Hipótese Colinérgica da origem dos sintomas da DA, fornecendo grandes perspectivas e indícios positivos na terapia e amenização dos sintomas da patologia.

Outra substância do sistema nervoso, a Serotonina, também foi ligada aos sintomas da DA em outra pesquisa, principalmente: agitação, agressão, depressão e psicose. Polimorfismos na região “promoter” [local de início da transcrição] 5-HTTPR e na região do intron 2 do gene 5-HTTVNTR que codifica a proteína transportadora de serotonina são associados com os sintomas intermediários e finais da doença. Os genes 5-HT2A e 5-HT2C, codificantes dos receptores de serotonina, também foram considerados associados à DA em algumas pesquisas.

Para melhor compreensão, estudos buscaram também ajuda nos achados anatomopatológicos de pacientes após autópsia e nas imagens de ressonâncias magnéticas, comparando-os dados da NPI. Observou-se as alterações na substância cinzenta [Grey matter, GM] para identificar as áreas afetadas em cada sintoma. Alucinações foram associadas com GM diminuída no lobo frontal esquerdo, córtex frontoparietal direito e no claustrum esquerdo; Apatia foi associada com perda de densidade de GM no córtex cingulado anterior e no córtex frontal bilateralmente; agitação foi associada foi associada com valores de GM diminuídos na ínsula esquerda e no córtex cingulado anterior bilateralmente.

Portanto, os sintomas neuropsiquiátricos da DA estão associados com a neurodegeneração de redes neurais específicas para a memória pessoal, monitoramento da realidade, processamento de recompensas, percepções intrínsecas e experiência emocional subjetiva. Os diversos tipos de abordagem [clínica, social, psicológica, anatomopatológica, bioquímica e celular] auxiliam na compreensão dos mecanismos intermediários e finais [tomando-se a inflamação cerebrovascular como mecanismo inicial] que trazem tantos prejuízos para o paciente e o ambiente que o circunscreve.

Bibliografia:

http://journals.lww.com/ajgponline/Abstract/2005/06000/A_Cross_Sectional_Study_of_Neuropsychiatric.4.aspx

http://archneur.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=786358

http://europepmc.org/abstract/MED/9581223

http://journals.lww.com/ajgponline/Abstract/2005/06000/Neuropsychiatric_Symptoms_and_Quality_of_Life_in.5.aspx

http://brain.oxfordjournals.org/content/131/9/2455.short

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0197458010002046

Escrito por: Diogo Carneiro

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